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Ei, Schatz.

O que foi aquilo, hein? Esperei nove meses, para conhecer você na última semana. Sem ideias românticas, eu sei. A gente não teria casado, tido dois filhos e um pastor alemão. Nem se eu tivesse te conhecido no primeiro dia, nem no último.

Mas o que foi aquilo?

Eu lembro do gosto específico e da frase engraçada que você soltou pra mim, logo de cara. Lembro das mensagens. Você estava estudando e eu perdendo a cabeça com a minha irmã. E quando eu fiquei sozinha, justo nos dias que antecederam sua prova, você ficou comigo.

E me mostrou aquele lado da cidade que, mesmo nos meses anteriores, eu não tinha conhecido. A cerveja, o drink de passion fruit. Você pegou outra linha do metrô pra me acompanhar mais alguns minutinhos. Corrigiu minha pronúncia naquele nome tão importante e até conheceu dois ou três amigos meus.

É. Na noite anterior ao seu exame e ao meu voo, você ficou comigo. E eu nem acreditava, porque a gente não era um casal. Nem apaixonados estávamos. E você ficou ao meu lado em uma das noites mais difíceis da minha vida. E, o mais bonito, só me olhando enquanto eu dormia desajeitada nas cadeiras do aeroporto.

Obrigada por isso. Obrigada pelo amendoim também. E por ter me acordado, preocupado que eu perdesse a hora do embarque aos primeiros ruídos do dia.

Te levo no coração, Schatz. Mesmo sem as ideias românticas. Nessa intensidade toda de quem não se conhece direito.

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