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Ele se apaixonou perdidamente, e ela ficou apreensiva. Pensou por um momento ou dois. Por um mês ou dois. E num vislumbre de dúvida, viu-se mergulhando de cabeça em novos (m)ares.

Aos poucos foi conhecendo sua vida, seus discos e filmes preferidos. Sua mãe, seu cachorro. O mundo dele era cheio de peculiaridades que ela queria beber com os olhos. Atentava-se a cada gesto e olhar. Observava cada vez que sua respiração acelerava junto ao compasso de seu coração. Tentou aprender sobre ele o máximo que podia nos meses que ainda estavam por vir. Paixões com data para acabar carregam consigo um quê de inconsequência atraente. Não há tempo para jogos de conquista, os minutos que correm só permitem que sejam sinceros e se mostrem em seu estado mais puro e autêntico.

Viraram melhores amigos, melhores amantes. A vida era cheia de oportunidades, risadas, conversas, loucuras. Casaram na informalidade de seus pensamentos. Combinaram de desacelerar os próprios corações semanas antes da despedida, mas quem no mundo consegue manter esse tipo de promessa? Não eles, que carregam o calor do sol e a intensidade do mar dentro de si. Correram os dois em alta velocidade, em direção ao muro de concreto que traduzia os milhares de quilômetros entre eles.

Ela viu a queda, as dores, os hematomas e as cicatrizes que a esperavam de braços abertos no desembarcar de seu voo.

No mesmo vislumbre de dúvida, optou por recuar. Privou-se do amor e das histórias bonitas. Mas também se preservou da dor, e entrou no avião sem despedidas dramáticas ou lágrimas de saudade. Só mais uma partida entre as muitas naquele aeroporto.

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