Soundtrack: Touch

Eu sei que eu nunca vou ser uma pessoa qualquer na sua vida, e que eu nunca vou deixar de respirar por dois segundos ao ver um nome igual ao seu rolando nos créditos de um filme na TV. Sei que vivemos algo bonito, que foi tirado da gente na parte mais doce da mordida. E sei que nós dois guardamos o que foi bom, e embora a gente evite dar nomes de impacto às nossas emoções, esse sentimento puro e tão lindo vai sempre existir entre nós. A gente nunca vai esquecer um do outro, moço.

Só que eu sei também que, apesar de especial, nunca vai ser suficiente pra te fazer deixar um pouco de lado essa frieza calculista que domina seus impulsos. E que as nossas vidas foram muito sincronizadas durante um curto espaço de tempo, mas agora você é só água e eu sou um dos líquidos mais densos que existem por aí. Se você decidisse ser meu por mais um tempo ou dois, eu sei que eu acabaria parando de escrever e você de desenhar. Você deixando de criar e eu de sonhar.
Eu sei, meu bem, que se a gente tentasse ficar juntos de novo o mundo entraria em colapso e o nosso encontro causaria um terremoto do outro lado do oceano. Então, pelo bem da humanidade, tudo bem. Eu também acho melhor que a gente continue nossos caminhos eternamente paralelos e evite um desastre tectônico na vida de alguns asiáticos que levam suas rotinas tranquilas doze horas a frente de nós.
Depois de tanto tempo e tanta ausência, ficou difícil distinguir o hábito de te amar da ação por si só. Talvez hoje já me faltasse disposição pra aguentar sua velhice careta aos 28 anos de idade, implicando com o meu lado menina-intensa-de-25. Talvez a gente nem falasse mais de amor às seis da tarde, enquanto pensa em qual seria o melhor restaurante para ir à noite. Talvez o que antes eram rosas e melodias agora me entediasse, e talvez você fosse meio amargo demais para a minha vida de açúcar e sorrisos soltos. Ou talvez, enfim, você não passe de uma utopia, uma idealização minha que nem você mesmo consegue atingir.

Talvez, talvez.

Mas fica por aí, viu? Não voa muito longe porque o carinho morre tão pouco quanto nossas memórias, e eu ainda gosto de saber dos barulhos que você ouve de vez em quando. Acho que, no fim das contas, a gente não vai matar ninguém por se querer bem a um estado, três anos e duas vidas de distância. Concorda?

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