Tags

,

Foi provavelmente a maior coincidência – ou crueldade do destino – da minha vida.

Esperei você por dois anos, entre lágrimas e ligações. Te pedi em silêncio que você me quisesse. Tentei de todas as formas que você viesse e me visse mais uma vez. Você veio sem saber, dezessete dias após eu dar chance a um novo amor.

Pensamos um pouco e decidimos nos encontrar no mesmo café de sempre. É sábado a noite, e a maior parte das pessoas do mundo deve estar tomando uma cerveja, mas nós dois juntos sempre optamos por café. Você pede o seu macchiato simples, o meu é duplo. Nossa mesa está ocupada, e você indica aquela ao canto, jogando a cabeça um pouco para o lado direito.

Conversamos um par de banalidades quaisquer, minhas mãos tremem como naqueles primeiros encontros. Eu brinco com o açúcar, você dá risada. Te mostrei a tatuagem no tornozelo, e você deslizou os dedos pelos traços como quem memoriza cada sombreado do desenho. Você resume o livro que terminou semana passada, eu conto como foi minha última viagem.

Te digo que quero morar na Europa. Você ri e não acredita.

O café fecha à meia noite e eu nem sabia que já era madrugada. Você me abraçou no estacionamento e eu congelei. Não sei muito bem como eu saí do seu abraço e entrei na sua boca. As memórias voltam como se nunca tivessem ido. Você ainda vira a cabeça para o lado errado quando beija, e eu ainda dou risada quando fico nervosa. Você lembra, mesmo que inconsciente, que eu derreto quando você segura meu rosto assim.

Você me chama pra ir para a sua casa. Eu penso. Repenso. Aonde foi parar a minha impulsividade? Devo ter deixado na gaveta de meias. Te olho no fundo dos olhos e invento uma besteira qualquer. Te levo pra casa, te abraço e te olho mais uma vez. Você sai do carro com as mãos nos bolsos, como sempre, deixando seu perfume dentro do carro e de mim.

Olhando pra você agora, de costas se afastando, eu percebo. Eu sei que essa foi a nossa última vez, o nosso último café, o nosso último amor.

Anúncios